Friday, October 13, 2006

Diário de Praxes 06/07: Le grand finale

Não vou escrever mais. Avisaram-me que poderia tornar-me demasiado famoso. «Não te preocupes Titi.», expliquei-lhe. Foi uma experiência divertida esta. «Mais valia teres ficado em casa a ver os 'Morangos com açúcar'», argumentam alguns. Gostaria aqui de referir a importância dos Morangos com açúcar no panorama social actual:






já está. Posto isto, despeço-me de vossa excelência, o leitor, esperando que as minhas palavras vos encontrem muitas mais vezes de futuro. Espero também que se tenham divertido a ler isto, que sejam raparigas, ou que estes textos vos tenham posto em contacto com o vosso lado feminino.

Diário de Praxes 06/07: Tribunal da Praxe

Nota prévia: não se incluem neste diário o relato do jogo realizado no dia 28 de Setembro, pelas 10.00, por complacência e por receio de ferir os sentimentos de outrém. Mas ele houve uns cabritos e cuecas...

Dia 29 de Setembro,

Poucos dias antes havíamos sido encordoados pelo Barras, que teve a sua estreia nesta coisa das praxes, segurando o rolo de corda com cuidado para não estragar as unhas. Juntaram-nos no jardim e pudémos ver Clark Kent a transformar-se em Super-Homem e dois rapazes "com fominha" a comer M&M's da barriga de um rapaz, que pensavam ser a bonita e escultural Inês. Faziam-no com tal voracidade que, quando lhes retiraram as vendas, o desalento foi óbvio. «Bem me parecia que os M&M's tinham pêlos...» confidenciou, depois, o Sherlock Holmes (o gajo que foi enganado) ao Piu-Piu.

No dia 29, Sexta-feira, íamos presenciar o tão aclamado Tribunal das Praxes. Estive quase para ser julgado por irmos por um caminho mais longo para o jardim mas, por sorte, o veterano tinha um fraquinho por mim. «Vais fazer 84 flexões que foram os passos que tive de dar a mais graças a ti». 84 passos a mais, o que é isso? São tão sensíveis...

O Juíz que presidia era, nada mais nada menos que Juíz António Ismael Leitão. Sim, ele mesmo. Os julgados foram, por ordem nada alfabética:

"Luisão", por ter dado uma canelada no jogo de quinta a um veterano.
"Coma", por ter bebido demais na noite antecedente.
"Chato", por ser chato para as raparigas.
"Piu-piu", para bater no chato.
"Bia", porque os veteranos conseguiram arranjar uma desculpa
"Rapaz que mandou chamar o Bob", por ter mandado um veterano chamar o Bob
"Rapaz que leu e escreveu o que não devia", por ter lido e escrito o que não devia

O "chato" ou "João engatatão" se vossa excelência o leitor o desejar apelidar de tal, foi designado advogado de defesa oficioso, encapuçado, posto dentro de uma cerca com os pés dentro de um balde. O Piu-piu certificou-se que o chato defendia bem os seus clientes, dando-lhe palmadas na cabeça. «Quem é que foi chateada pelo chato ontem à noite?". Uma rapariga levantou-se, corajosamente. Todas as outras raparigas se levantaram a seguir. Parece que o chato até a namorada do Titi chateou. Mas não quero ir por aí, por ser um assunto delicado. E assuntos delicados são sensíveis. Ser sensível é ser roto.

O rapaz que leu o que não devia e o Piu-piu tiveram também direito a um momento encapuçado em que se alimentaram mutuamente de iogurte light. No fim, escolhemos os nossos padrinhos/madrinhas e fomos baptizados. O "chato" levou água e farinha de todas as raparigas que, a brincar a brincar, ainda são umas nove. O leitor, ávido de curiosidade, deve estar a indagar se o "chato" poderá ser um gay retraído. Diz a experiência que isto pode ser uma fase de negação intricada que procura alento no "chateamento" constante de raparigas. Pode ser também fascínio por seios femininos, avançam ainda outros investigadores da área. Eis que vos deixo com um pensamento: «Se os homossexuais não se reproduzem, como é que há tantos?.

Gostaria ainda aqui, para finalizar a minha exposição de pensamentos, de falar de uma coisa que realmente me tem feito reflectir ultimamente:

Apesar de tudo, a praxe é uma forma de convívio entre os novos alunos. Esta é a opinião de Ana Rita Ramôa, veterana de Ambiente, que gosta de praxar porque acha que “é um meio engraçado de os caloiros se conhecerem”. Refere ainda que “os caloiros sofrem um bocado, mas é bom”.

Muito gostava eu de praxar esta Ana Rita Ramôa com chantili. Mas a praxe é mesmo assim.






Diário de Praxes 06/07: A Grande Aula

Dia 25 de Setembro,

Querido Diário, tive a minha primeira aula no técnico. A aula era de programação e, ainda assim, havia duas raparigas na sala. Não, três: estava lá também a tal de rapariga do NEEC, sentada nos lugares da frente. Reparei que possui um cabelo que, quando incide a luz, cintila num tom dourado. Entrou o «professor» António Ismael Leitão que, afinal de contas, era um aluno. «Era só a fingir», explicou-me o meu colega do lado, rindo e cuspindo ao mesmo tempo o que achei, como é óbvio, sexy. As mulheres quando fingem o orgasmo, dizem os peritos na matéria, fazem-no porque têm jeitinho para isso. De facto, não ficámos desiludidos com a performance do prof. Leitão. Foi magnífica. À saída havia pessoas que lhe gostavam de ter beijado a mão. A seguir, apareceu a Drª Isabel Trindade que, segundo consta, é a responsável pelo nosso curso. Ela falou durante largos minutos e observei que os estudantes começavam a dispersar a atenção das suas mentes para outros assuntos. Notei num estudante que começou, num ímpeto de desespero, a ouvir «Venham mais cinco» do Zeca Afonso. Recordo que depois a rapariga do NEEC se levantou e o perfume dela chegou ao fundo do anfiteatro, onde nenhuma voz havia chegado. Todos estavam atentos.

- Vocês pensam que isto do técnico ninguém se ajuda e que ninguém se importa com vocês...mas o objectivo do núcleo de engenharia electrotécnica é mudar isso.

Dentro da minha cabeça tocavam «I love you just the way you are» e ela mergulhava para dentro de uma piscina. Eu não podia saltar também, porque a água estava fria. Mais tarde, em casa, leria numa revista da especialidade:

"A troca sexual é uma das mais importantes maneiras de se renovar a energia. A pele ganha mais luminosidade; a beleza natural brota de dentro para fora. O orgasmo promove saúde." Continuo sem perceber como é que o Valter (sem acento) continua com tantas borbulhas.

Há pouco tempo vi a rapariga do NEEC depois de uma aula de problemas de química. Parece-me que ela me disse olá. «Andas com muita imaginação tu», observou um colega meu. Disse-lhe que devia dar-lhe um murro nos dentes por duvidar da minha palavra. «Mas isso ia fazer-me um grande dói-dói.», explicou-me.

Depois da grande aula foram atribuídos os mentores às respectivas turmas. A nossa ficou com um rapaz chamado Tiago A. Rodrigues. Importante notar o "A." no nome. Igualmente importante notar que ele é inteiramente heterossexual. «Sei que isso faz reflectir sobre a injustiça do mundo» disse eu e depois o Bean chorou no meu ombro.